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30
Abr15

TV: Celebrar Manoel de Oliveira (RTP2 - 30 Abril a 3 Maio)

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Celebrando o realizador Manoel de Oliveira, a RTP2 convidou algumas das pessoas mais marcantes do cinema português, e que privaram de perto com este grande realizador, para falarem dele e da sua obra. Manoel de Oliveira faleceu no passado dia 2 de Abril, aos 106 anos de idade. Era o mais velho realizador do mundo ainda em actividade e trabalhou até 15 dias antes da sua morte. De 30 de Abril a 3 de Maio, a RTP2 presta homenagem ao mestre do cinema português através de uma programação especial onde poderemos ver alguns dos seus filmes, os quais serão antecedidos de depoimentos de figuras importantes ao longo da carreira do realizador.

 

5ª feira, 30 de Abril

 

Celebrar Manoel de Oliveira - Paulo Branco (23h30)

 

O produtor de cinema Paulo Branco, cuja primeira e inesquecível experiência com o realizador Manoel de Oliveira aconteceu em 1981 com o filme "Francisca", celebra o realizador falando sobre o filme "O Passado e o Presente".

 

"O Passado e o Presente" (23h32)

 

Vanda é uma jovem mulher que em vida despreza os maridos para os venerar depois da morte. Um jogo de ficção entre o real e o imaginário, o imaginário de uma personagem obcecada por um mundo que já não é mundo. Procura viver o presente com os homens que viveu no passado, com uma memória daquilo que enquanto tinha não fez caso.

 

"O Passado e o Presente" (1971) marca o reinício da actividade de Manoel de Oliveira como realizador, no género da ficção. Antes, tinha-se dedicado mais ao documentário. Embora sendo originais alguns dos filmes que antes realizou, só a partir de então a sua obra se distinguirá pela permanência e evolução de um estilo pessoal em que ele mistura a arte do cinema e a arte do teatro e que se caracteriza por um abandono do realismo, que se converte nele em retrato de traços alegóricos e expressionistas, ilustrando, com algum picante, figuras-tipo da sociedade portuguesa. Filme premiado pela Casa da Imprensa com os prémios de Melhor Realização e Melhor Fotografia. 

 

 

 

6ª feira, 1 de Maio

 

Celebrar Manoel de Oliveira - Luís Miguel Cintra (23h30)

 

O actor Luís Miguel Cintra, um dos mais antigos e fiéis actores que colaboraram com Manoel de Oliveira, irá celebrar este grande realizador através do seu comentário ao filme "Os Canibais", no qual também participou como actor.

 

Os Canibais (23h35)

 

"Os Canibais" (1988) é um filme-ópera. Toda a acção se desenvolve em torno da música interpretada pelos actores que representam a alta sociedade aristocrática do séc XIX. Margarida é uma jovem bela que se apaixona pelo Visconde de Aveleda. Uma paixão interceptada por D. João que odeia o Visconde e não descansa enquanto não o derruba. É no fundo o regresso à tetralogia dos amores frustados, iniciado com "Benilde ou a Virgem Mãe", "Amor de Perdição" e "Francisca", que Oliveira aqui faz representar, só que de uma forma diferente. Com este filme, Oliveira obteve o Prémio Especial da Crítica - São Paulo 1988, Prémio L'Age d'Or, atribuído pela Cinemateca de Bruxelas no mesmo ano, e uma Menção Honrosa da Rádio Difusão Portuguesa, através do canal Antena 1, em 1989.

 

 

 

Sábado, 2 de Maio

 

Celebrar Manoel de Oliveira - Catarina Wallenstein (22h30)

 

A actriz Catarina Wallenstein, protagonista do filme "Singularidades de uma Rapariga Loura", celebra Manoel de Oliveira comentando o filme "Vale Abraão".

 

Vale Abraão (22h35)

 

No Vale do Douro, Ema vive com o pai e é educada numa atmosfera de grande sensibilidade poética. Torna-se numa mulher bela e sensual com um irresistível gosto pelas ficções românticas, que acaba por nunca conseguir encontrar plena satisfação junto dos homens, desde logo casando com um médico que nunca amou. Na sequência de uma intensa vida social, Ema vai envolver-se com três homens sempre numa constante busca de paixões, luxo e desafios, cuja beleza e espírito provocatório lhe vão valer o epíteto de "Bovarinha", uma versão moderna e portuguesa da "Bovary" de Flaubert. Por fim, desiludida e frustrada, Ema morre afogada no Douro, sem nunca se chegar a perceber se foi acidente ou suicídio. "Vale Abraão" (1993) parte da adaptação ao cinema da obra homónima de Agustina Bessa-Luís, por sua vez um exercício literário inspirado na "Madame Bovary" de Flaubert, que Manoel de Oliveira transforma num filme deslumbrante e portentoso. Narrando de forma absolutamente irresistível a trajectória amorosa de uma bela mulher, vítima dos seus incongruentes desejos e paixões, "Vale Abraão" é, sem dúvida, o filme mais ambicioso, deslumbrante e admirável do Mestre Oliveira, onde Leonor Silveira, a sua actriz emblemática, é simplesmente portentosa, à cabeça de um grande elenco que conta com Luís Miguel Cintra, Ruy de Carvalho, Diogo Dória e João Perry. "Vale Abraão" é um dos mais importantes filmes de toda a História do cinema português, que, muito justamente, os "Cahiérs du Cinéma" consideraram como "um dos mais belos filmes do Mundo".

 

 

 

Domingo, 3 de Maio

 

Celebrar Manoel de Oliveira - Ricardo Trêpa (00h00)

 

Ricardo Trêpa, neto de Manoel de Oliveira, participou como actor em diversos filmes do realizador. Celebra este grande realizador comentando "Um Filme Falado", no qual também fez parte do elenco.

 

Um Filme Falado (00h05)

 

Em "Um Filme Falado" (2003), Rosa Maria, uma jovem professora de História, parte com a sua filha Maria Joana num cruzeiro que atravessa o Mediterrâneo e se dirige a Bombaim, na Índia, onde se reunirão com o seu marido. Através das diversas cidades onde o cruzeiro pára, Rosa Maria vai pela primeira vez conhecer lugares de que falava nas suas aulas, mas que nunca antes visitara. Por isso, a viagem por Ceuta, Marselha, as ruínas de Pompeia, Atenas, as pirâmides do Egipto e Istambul, é também uma viagem pela civilização mediterrânica e uma evocação de tudo o que de decisivo marcou a nossa cultura ocidental: da Grécia antiga aos romanos, passando pelo antigo Egipto, Constantinopla, os Descobrimentos Portugueses, a França da Revolução e da Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Mas nesse cruzeiro, ela vai também conhecer três mulheres que muito a impressionam: uma francesa, empresária de renome; uma italiana, antiga modelo famosa; e uma grega, actriz e professora; e sobretudo o comandante do navio, um americano de origem polaca. Na sala de refeições do navio, à mesa do comandante, elas conversam animadamente, cada qual na sua língua, como se de uma Babel ao contrário se tratasse, onde cada um entende tudo o que o outro diz na sua própria língua. Mas quando chegam a um porto do Golfo Pérsico, uma estranha ameaça perturba o cruzeiro e ameaça o navio e a vida dos passageiros...

 

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