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05
Mar21

TREZES - Um Jantar Muito Original (RTP1 - 22h50)

Um Jantar Muito Original

 

Autoria: Alexander Search (heterónimo de Fernando Pessoa)

Realização: Leandro Ferreira

Produção: Marginal Filmes

 

Elenco: Tomás Alves, Miguel Loureiro, João Cabral, Jorge Silva, Lourenço Henriques, Jorge Pinto, Flávio Gil, Miguel Sermão, Beatriz Barosa, Rosa Bela

 

Sinopse: Adaptação cinematográfica do conto homónimo de Alexander Search, heterónimo de Fernando Pessoa.

 

1907. A Câmara do Porto acaba de ser ganha pelos republicanos, em plena monarquia, a três anos de distância da revolução. As ideias republicanas vão-se impondo e as instituições monárquicas começam a ser abaladas. Porém, a Sociedade Gastronómica de Lisboa resiste e aparentemente é um dos mais sólidos bastiões da monarquia. Mas ventos de mudança sopram dentro das paredes da tradicional e conservadora Sociedade.


Um jovem membro, o Dr. Duarte Rodrigues (Tomás Alves), decide disputar a presidência, ocupada pelo misterioso Prositt (Miguel Loureiro), que fez fortuna nas Áfricas. Duarte, afirmando que não quer trair o ilustre presidente, mas como este se encontra algo desgastado e perdidamente deslumbrado com a liderança, consegue de forma ardilosa convencer os outros a convencê-lo a ele próprio, Duarte, a avançar, servindo-lhes para isso, num jantar de tomada de poder, um prato de inesperada excelência e muito original.

 

O conto Um Jantar Muito Original, originalmente escrito em inglês, foi publicado em 1906.

 

 

"Trezes" é um projecto inédito, com a chancela RTP e Marginal Filmes, que reúne autores, contos e realizadores nacionais num formato diferenciador, o Telefilme. Todas as semanas teremos o olhar de um realizador sobre um conto da nossa literatura interpretado pelos melhores actores nacionais, num total de 13 telefilmes. Uma visão cinematográfica de grandes realizadores contemporâneos de alguns dos contos da nossa literatura, numa valorização do nosso património literário e cultural.

 

 

fernando-pessoa (2).jpgjantar original.png

 

Fernando Pessoa nasceu a 13 de Junho de 1888, no Largo de São Carlos, em Lisboa. Começou a escrever em criança e fê-lo sobretudo em português, mas também em inglês e francês. Poucas vezes deixou a cidade de Lisboa e os seus arredores em adulto, mas passou nove anos da sua infância em Durban, na colónia britânica da África do Sul, onde o seu padrasto era o cônsul Português. Pessoa, que tinha cinco anos quando o seu pai morreu de tuberculose, tornou-se um rapaz tímido e cheio de imaginação, e um estudante brilhante. Pouco depois de completar 17 anos, voltou a Lisboa para entrar no Curso Superior de Letras, que abandonou depois de dois anos, sem ter feito um único exame. Preferiu estudar por sua própria conta na Biblioteca Nacional, onde leu livros de filosofia, de religião, de sociologia e de literatura (portuguesa em particular) a fim de completar e expandir a educação tradicional inglesa que recebera na África do Sul. A sua produção de poesia e de prosa em inglês foi intensa durante este período e, por volta de 1910, já escrevia também muito em português. Publicou o seu primeiro ensaio de crítica literária em 1912, o primeiro texto de prosa criativa (um trecho do Livro do Desassossego) em 1913 e os primeiros poemas de adulto em 1914. Vivendo por vezes com parentes, outras vezes em quartos alugados, Pessoa ganhava a vida fazendo traduções ocasionais e redacção de cartas em inglês e francês para firmas portuguesas com negócios no estrangeiro. Embora solitário por natureza, foi um líder activo da corrente modernista em Portugal, na década de 1910, e ele próprio inventou alguns movimentos, entre os quais um «Interseccionismo» de inspiração cubista e um estridente e semi-futurista «Sensacionismo». Em 1920, a mãe de Fernando Pessoa, após a morte do segundo marido, deixou a África do Sul de regresso a Lisboa. Pessoa alugou um andar para a família reunida –  ele, a mãe, a meia-irmã e os dois meios-irmãos – na Rua Coelho da Rocha, nº 16, naquela que é hoje a Casa Fernando Pessoa. Foi aí que Pessoa passou os últimos quinze anos da sua vida – convivendo muito com a mãe, que morreu em 1925, e com a meia-irmã, o cunhado e os dois filhos do casal (os meios-irmãos de Pessoa emigraram para a Inglaterra), embora também passasse longas temporadas em casa sozinho.

 

Era nessa casa que Fernando Pessoa tinha uma arca onde foi guardando os seus escritos ao longo dos anos. O conteúdo dessa arca – que hoje constitui o Espólio de Pessoa na Biblioteca Nacional de Lisboa – compreende mais de 25 mil folhas com poesia, peças de teatro, contos, filosofia, crítica literária, traduções, teoria linguística, textos políticos, cartas astrológicas e outros textos sortidos, tanto dactilografados como escritos ou rabiscados ilegivelmente à mão, em português, inglês e francês. Pessoa escrevia em cadernos de notas, em folhas soltas, no verso de cartas, em anúncios e panfletos, no papel timbrado das firmas para as quais trabalhava e dos cafés que frequentava, em sobrescritos, em sobras de papel e nas margens dos seus textos antigos.

 

Escreveu sob dezenas de nomes, tendo chamado heterónimos aos mais importantes destes «outros eus», dotando-os de biografias, características físicas, personalidades, visões políticas, atitudes religiosas e actividades literárias próprias. Algumas das mais memoráveis obras de Pessoa escritas em português foram por ele atribuídas aos três principais heterónimos poéticos – Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos – e ao «semi-heterónimo» Bernardo Soares, enquanto muitos poemas e alguma prosa em inglês foram assinados por Alexander Search e Charles Robert Anon. Havia ainda Jean Seul, o solitário heterónimo francês, que era ensaísta. Os muitos outros alter-egos de Pessoa incluem tradutores, escritores de contos, um crítico literário inglês, um astrólogo, um filósofo, um frade e um nobre infeliz que se suicidou. E até um «outro eu» feminino: uma pobre corcunda com tuberculose chamada Maria José, perdidamente enamorada de um serralheiro que passava pela janela onde ela sempre estava, olhando e sonhando.

 

Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro de 1935, aos 47 anos, em Lisboa, cidade referida em muitos dos seus poemas e cenário do famoso Livro do Desassossego. É nesta cidade que se encontram os seus papéis, depositados na Biblioteca Nacional de Portugal, e a sua biblioteca particular, depositada na Casa Fernando Pessoa.

 

Alexander Search é um dos semi-heterónimos de Fernando Pessoa e representa praticamente toda a poesia da sua juventude, escrita em inglês, entre 1903 e 1910, mas sobretudo entre 1904 e 1908 (dos 16 aos 20 anos). Este semi-heterónimo tem uma ficha biográfica, escrita em inglês, e que se pode encontrar no espólio de Fernando Pessoa: "Nascido a 13 de Junho de 1888, em Lisboa. Tarefa: tudo o que não seja da competência dos outros três." 

 

 

 

Sugestão: Alexander Search é o nome do grupo formado pelo cantor Salvador Sobral e o pianista Júlio Resende, ao qual se juntaram o guitarrista Daniel Neto, o baterista Joel Silva e a música electrónica de André Nascimento. Neste projecto, Júlio Resende pegou em parte de letras da autoria de Alexander Search e compôs temas para o álbum homónimo, lançado em 2017. 

 

 

Leandro Ferreira nasceu em 1992. É realizador e argumentista. Realizou longas-metragens e documentários. 

 

Filmografia:

Um Jantar Muito Original (telefilme, RTP1; 2021)

19 Meses Depois (doc., RTP1; 2018)

A Voz e os Ouvidos do MFA (docuficcção, RTP1; 2017)

Matança da Páscoa (doc., RTP2; 2015)

Do Outro Lado do Mundo (2008)

Os Retornados ou os Restos do Império (doc., 2002)

O Segredo (2001)

Vertigem (1992)

Contactos (1986)

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