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24
Fev17

PERDIDOS E ACHADOS - Reis e Rainhas de Torres Vedras (Jornal da Noite, SIC/ sábado, 25 - 20h00)

reis torres.jpg

 

Ele é um ele. E ela também. Só um homem pode ser... rainha. "Perdidos e Achados" foi ao encontro dos actuais e antigos "monarcas", ainda vivos, da folia torreense.

 

António Agostinho, de 86 anos, foi rainha de Levy dos Santos. José Abrantes foi rainha de João Melo, que teve ainda as rainhas Luís e Alfredo Reis - de apelido -, que são irmãos. A rainha Alfredo fez também par com os reis Bruno Melo - filho de João Melo - e António Miranda Santos, pai do sucessor, Ricardo, que teve como rainha o Pedro Adam, que entregou a coroa ao Ricardo Rodrigues. Este ano, portanto, rei e rainha dão pelo nome de Ricardo. Confuso?! Esta é a história possível dos reis e rainhas do Carnaval de Torres, uma festa adoptada pelo ambiente republicano, que se conta com a inversão de papéis, inicialmente como sátira à Igreja e à monarquia. Em 2017, o Carnaval de Torres tem nova rainha, que, tal como o rei, e outros, é, desde que se conhece, de uma "raça" autóctone que aparece nesta altura do ano e que dá pelo nome de... Matrafonas.

 

Enraizada nos ciclos rurais, é ancestral esta folia da anormalidade social. Mas as referências a um entrudo em Portugal prévio à Quaresma remontam ao século XIII. As crónicas dão conta de brincadeiras por vezes violentas. Em Torres Vedras, já no século XVI havia queixas por brigas e brincadeiras. No século XIX, como acontecia em todo o lado, os salões organizavam os bailes de máscaras, mas havia pulhas a espalhar ofensa e sátira nas ruas. O Carnaval à semelhança do que temos hoje começou em 1923. Por influência estrangeira, apareceram os carros alegóricos, os cortejos.. e um rei, que só teria rainha no ano seguinte. E se Torres Vedras dá hoje nome ao Carnaval, será também pela memória acumulada de folias e dias que mexem na economia local. Revelamos ainda um filme da década de 1930, quando o Carnaval de Torres era projectado nas salas de cinema de Lisboa. Desses anos, nenhum monarca é vivo, mas os "descendentes" mais velhos recordam aqueles dias loucos que juntavam classes sociais nas ruas e libertavam as moças...

 

Para ver este sábado, no Jornal da Noite da SIC, com início às 20h00.

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