LETRAS LUSAS: "Cartas Portuguesas de Mariana Alcoforado" - nova tradução e estudo histórico por José António Falcão

Editora: E-Primatur
Sinopse: Passados 300 anos da morte da freira portuguesa mais famosa de todos os tempos, uma nova edição anotada das cartas que lhe foram atribuídas e que se tornaram uma das histórias de amor impossível mais famosas da literatura ocidental. Publicadas originalmente em 1669, estas cinco cartas de uma freira portuguesa destinadas ao seu apaixonado, um oficial francês, tiveram grande impacto na literatura europeia da qual a França era a porta-estandarte.
A investigação histórica que foi feita no decorrer de séculos e até aos nossos dias confirmou, por um lado, que a religiosa teria sido Mariana Alcoforado e, por outro, que o oficial francês seria o Marquês de Chamilly, na época em Portugal com o contingente francês para apoiar as forças portuguesas que se opunham ao exército espanhol na luta pela Independência de Portugal. Mais tarde, a continuada investigação considerou mais provável que se tratasse de uma obra de ficção da autoria do editor original, mas inspirada em factos verídicos.
A verdade é que a incerteza se mantém e os factos históricos coincidentes mais contribuem para adensar o mistério. Aquilo de que não se duvida é da influência cultural e literária da obra na literatura europeia. Com efeito, as Cartas foram adaptadas diversas vezes ao teatro e ao cinema e são uma referência na literatura europeia e nas Belas-Artes.
Esta edição que agora se publica, no tricentenário da morte de Mariana Alcoforado, é acompanhada por um Estudo Histórico que recapitula precisamente todo este percurso de investigação e o impacto cultural da obra ao longo dos tempos.

Mariana Alcoforado nasceu na cidade de Beja, em 1640. Ingressou no Convento de Nossa Senhora da Conceição com apenas 12 anos, determinada a dedicar a sua vida ao Senhor. Contudo, a sua vocação religiosa seria posta à prova quando conheceu o cavaleiro francês Noel Bouton, Marquês de Chamilly, que estava em Portugal com as suas tropas, envolvido na guerra da Restauração. Entre os dois surgiu um amor impossível, do qual as Cartas Portuguesas são um belíssimo testemunho. Publicadas pela primeira vez em francês, em 1669, pelo escritor Lavergne de Guilleraggues, as Cartas têm sido até hoje alvo de grande controvérsia no que diz respeito à sua autoria. A existência de Mariana Alcoforado e do Marquês de Chamilly, e o facto de as cartas serem dirigidas a este último, são indubitáveis. Aquilo que se discute é a atribuição da autoria dos textos a Soror Mariana Alcoforado e a sua autenticidade.

José António Falcão nasceu em Lisboa, em 1961. É historiador, museólogo e gestor cultural. Especialista de renome no âmbito da arte cristã, tem consagrado grande parte da sua actividade ao estudo dos bens culturais do Alentejo, o que lhe granjeou importantes prémios nacionais e europeus na área do Património Cultural. Dirigiu, entre 1984 e 2017, o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja. A profissão museológica levou-o a exercer funções, entre outros, no Museu de Évora, na Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça (da qual foi conservador e director em etapas cruciais da história desta instituição), no Museu Calouste Gulbenkian e no Museu Maynense, da Academia das Ciências de Lisboa. Foi também presidente do Opart, a maior empresa pública no âmbito da Cultura. Leccionou História de Arte em universidades de Portugal, Espanha, Brasil e Estados Unidos da América. Pertence à Academia Nacional de Belas-Artes e à Academia Portuguesa de História, bem como a instituições similares de vários países. Da sua vasta bibliografia fazem parte obras de referência para o conhecimento da identidade portuguesa, como Entre o Céu e a Terra, As Formas do Espírito, No Caminho sob as Estrelas ou Face a Face: Representações do Sagrado na Arte Europeia.
