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23
Dez20

ESTREIA TV: 3 Mulheres (HBO Portugal - disponível a partir 23 Dezembro)

3 Mulheres

"Snu Abecassis" (Victoria Guerra), "Natália Correia" (Soraia Chaves) e "Vera Lagoa" (Maria João Bastos)

 

Realização: Fernando Vendrell

Argumento: Luís Alvarães e Fátima Ribeiro

Música original: Pedro Marques

Produção: David & Golias

 

Elenco: Maria João Bastos, Soraia Chaves, Victoria Guerra, Afonso Lagarto, Fernando Luís, João Jesus, Pedro Lamares, Isac Graça, Simão Cayatte, Pedro Inês, Jorge Vaz Gomes, Elmano Sancho, Rui Neto, Hugo Olim, Cucha Carvalheiro, Vicente Wallenstein, Filipa Areosa, Rita Brütt, Pedro Carraca, Sérgio Coragem, Ana Padrão, Sílvio Vieira, Carolina Amaral, Rita Cabaço, Hugo Franco, João Reixa, Rodrigo Tomás, Jaime Freitas, Heidi Berger, João Lagarto, Mafalda Lencastre, Rui Morisson, Adelino Tavares, Estêvão Antunes, Hugo Bettencourt, Nuno Casanovas, Katrin Kaasa, Nuno Nunes, Paulo Pinto, Joana Brandão, Sara Carinhas, Tadeu Faustino, Victor Gonçalves, Manuel Wiborg, Mónica Mota, Sofia Correia, Álvaro Correia, Miguel Loureiro, Carlos Vieira, Íris Cayatte, João Craveiro, José Eduardo, Inês Sá Frias, Alda Gomes, Lucinda Loureiro, Pedro Sousa Loureiro, Rui Porto Nunes, Sandra Santos, Rafael Gomes, Ana Mafalda, Miguel Monteiro, Francisco Arraiol, João Arrais, Sílvia Barbeiro, Diogo Branco, João Cabral, João Cachola, Cristóvão Campos, Filipe Crawford, Henrique de Carvalho, Guilherme Gomes, Sara Barros Leitão, Luís Mascarenhas, Nuno Pardal, Fernando Rodrigues, Dmitry Bogomolov, Bruna Mannarino, Catarina Rolo Salgueiro, João Paulo Santos, Hugo Cesário, Nuno Elias, Alexandre Ferreira, Américo Silva, João Vaz, Ana Lamas, António Simão, Binet Undonque, Carlos Sebastião, Pedro Diogo, Fernando Santos, João Grosso, Mário Bomba, Mário Coelho, Nídia Roque, Inês Costa, João Pedro Dantas, Marlene Velez, Raquel Oliveira, Tomás Silva Sousa, Valéria Ferreira, Henrique de Mello, Lourenço Conde, Matilde Penedo

 

Sinopse: "3 Mulheres" é uma série de ficção de 13 episódios que, a partir das biografias e da intervenção cultural e cívica da escritora Natália Correia, da editora Snu Abecassis e da jornalista Vera Lagoa (psuedónimo de Maria Armanda Falcão), recorda os últimos anos do Estado Novo, entre 1961 e 1973, do início da Guerra Colonial à véspera da Revolução de Abril.

 

A vida, a história e os percursos cruzados destas 3 mulheres: Snu Abecassis (Victoria Guerra), Natália Correia (Soraia Chaves) e Maria Armanda Falcão (Maria João Bastos). Um exemplo de coragem e compromisso com os tempos futuros de um país e de uma sociedade.

 

3 Mulheres de palavra. Fazem revolução. 

 

A série "3 Mulheres", exibida na RTP1 entre 26 de Outubro de 2018 e 18 de Janeiro de 2019, passa a estar disponível na plataforma de streaming da HBO Portugal. A série foi recentemente renovada para uma segunda temporada.

 

 

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Maria Armanda Falcão "Vera Lagoa" foi jornalista, cronista, locutora e empresária. Filha de um major do exército português, e descendente de republicanos, nasceu na ilha de Moçambique, em 1917. Aos 16 anos, chega a Lisboa onde começa a trabalhar como secretária. Em 1957, torna-se conhecida por ser a primeira locutora de continuidade da RTP. Participa activamente na luta contra o regime de Salazar participando nas candidaturas da oposição (Humberto Delgado), integrando manifestações de contestação e dando apoio às famílias dos prisioneiros políticos. 

 

Em 1965 inicia, no "Diário Popular", a sua crónica "Bisbilhotices de Vera Lagoa" que ganha notoriedade como crítica social. Vera Lagoa luta pelo seu reconhecimento profissional e pela obtenção da Carteira Profissional de Jornalista que lhe era recusada. Durante o período "marcelista" torna-se uma notória figura pública, nomeadamente com a organização dos concursos Miss Portugal. 

 

Após a Revolução, afirma-se como activista de direita e torna-se directora do jornal "O Diabo" ao longo de 15 anos. Quando impedida de editar o seu jornal pelo Conselho da Revolução lança o semanário "O Sol" que é abruptamente interrompido pela deflagração de uma bomba. Posteriormente, co-dirige "O País" e colabora com "O Tempo". Durante a sua carreira jornalística é, várias vezes, levada a tribunal, acusada de injúrias e difamação. Um dos seus importantes combates jornalísticos é a denúncia do caso Camarate. Deixa publicado o livro "Histórias de Revolucionários que eu conheci". Maria Armanda Falcão "Vera Lagoa" faleceu a 19 de Agosto de 1996, aos 78 anos.

 

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Natália Correia foi escritora, poeta e deputada. Nasceu na Fajã de Baixo, concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, em 1923, e deixou os Açores com 11 anos, tendo ido viver para Lisboa. Destacou-se como uma das mais influentes figuras intelectuais da segunda metade do século. Possui uma obra literária extensa que inclui poesia, romance, teatro, ensaio e tradução. 

 

De espírito libertário, Natália foi uma personalidade polémica da sociedade portuguesa, caracterizada por uma forte intervenção política, com especial atenção para a cultura, o património, a defesa dos direitos humanos e, em especial, os direitos das mulheres. Mas também se caracterizou pela ousadia artística. Na década de 50, a sua casa era um autêntico salão literário, onde se reunia uma das mais vibrantes tertúlias de Lisboa, onde compareciam as mais destacadas figuras das artes, das letras e da oposição política nacional e internacional. Obras como o "Homúnculo" e "Antologia Erótica e Satírica" são sinónimo da sua irreverência. A edição da "Antologia" foi considerada um escândalo literário e de imediato apreendida pela PIDE, tornando-se matéria de julgamento em Tribunal Plenário.

 

No início dos anos 70, Natália Correia abre o Botequim, um espaço de tertúlia que se tornou referência na noite lisboeta. É autora da letra do Hino dos Açores, criado em 1979. Entre 1980 e 1991, foi deputada à Assembleia da República. Natália Correia faleceu a 16 de Março de 1993, aos 69 anos.

 

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Snu Abecassis foi editora. Considerada uma princesa nórdica, Ebba Merete Seidenfaden nasceu na Dinamarca durante a II Guerra Mundial e viveu na Dinamarca, Suécia, Inglaterra, Estados Unidos e Portugal. Desde pequena foi tratada por "Snu", que significa esperta, em dinamarquês. Aos 16 anos, apaixona-se por Vasco Abecassis, um português com família de origem judaica, enquanto estudavam em Inglaterra. Casam-se na Suécia e têm três filhos: Mikaela, Ricardo e Rebecca. Nos anos 60, mudam-se para Portugal. Preocupada com o sector editorial e a imprensa de língua portuguesa, Snu ambiciona contribuir para a difusão da cultura no país, que considerava atrasado, procurando abrir uma janela para o mundo.

 

Em 1965, funda a editora Dom Quixote, reconhecida por publicar livros ditos de esquerda e de ideias contrárias às do regime do Estado Novo. As suas publicações confrontam-na com a Censura e a PIDE. Discreta, voluntariosa e determinada, Snu contorna as barreiras que se criam perante a sua actividade editorial. Snu era elegante, discreta, misteriosa, obstinada, persistente, reservada e fugidia. Era uma mulher diferente das portuguesas. 

 

Após o 25 de Abril de 1974, inicia uma relação amorosa com o advogado e político Francisco Sá Carneiro e divorcia-se de Vasco Abecassis, ao contrário de Sá Carneiro que nunca conseguiria o divórcio. A história de amor de Snu e Sá Carneiro foi bastante polémica e teve um final trágico: na noite de 4 de Dezembro de 1980, Sá Carneiro, então primeiro-ministro, viaja para o Porto, para participar num comício de apoio ao candidato presidencial Soares Carneiro, acompanhado de Snu Abecassis e do Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa. Pouco depois da descolagem do Aeroporto de Lisboa, o avião despenha-se em Camarate, em circunstâncias nunca completamente esclarecidas, causando a morte de todos os ocupantes. Snu Abecassis tinha 40 anos. 

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