LETRAS LUSAS: "Quarto nº 2, Hotel Portugal", de Tiago R. Santos
Editora: Visgarolho
Sinopse: Ricardo, jornalista falhado e narrador à beira da afonia, procura reconstruir a vida da sua avó — mulher do Cais do Sodré, de corpo e de lenda — a partir dos restos de um passado que o pai tentou apagar. Pelo caminho, ilumina as sombras de uma família dilacerada pelos seus pecados ancestrais, numa história que atravessa décadas, continentes e pontos de vista.
No centro da narrativa estão três prostitutas que surgem como figuras mitológicas, guardiãs de um segredo inconfessável. Um assassino em fuga, encontrado no canto mais improvável da Europa. Uma misteriosa empregada de mesa em Baltimore. Depois, as vítimas habituais: os filhos que carregam os crimes dos pais, as pessoas comuns que são cúmplices invisíveis de grandes eventos mundiais, sem nunca conseguirem alterar o destino, por mais que tentem.
Neste romance sobre o desaparecimento — da voz, da memória, do amor —, a literatura é, ao mesmo tempo, gesto de salvação e castigo inevitável.
Quarto Nº 2, Hotel Portugal é uma história sobre o que sobra quando já tudo se perdeu. E sobre como, mesmo assim, mesmo confrontados com o indizível, encontramos a força para sobreviver.

Tiago R. Santos nasceu em Lisboa, em 1976. É argumentista, escritor e crítico de cinema. Depois de uma curta carreira como jornalista, iniciou o seu trabalho de argumentista em 2007, com Call Girl. Escreveu A Bela e o Paparazzo e Os Gatos Não Têm Vertigens – projecto com o qual ganhou os prémios Sophia, da Academia de Cinema Portuguesa, e Autor, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores – e trabalhou em séries como Liberdade 21, Conta-me como Foi, Filhos do Rock, Braga e Histórias da Montanha, entre outras. É o autor da nova versão do argumento de O Leão da Estrela, remake realizado por Leonel Vieira, e de Amor Impossível, de António-Pedro Vasconcelos, filmes que estrearam em 2015 – este último nomeado para 17 Prémios Sophia, incluíndo Melhor Argumento. Em 2013, publicou o seu primeiro romance, A Velocidade dos Objectos Metálicos. Actualmente, é crítico de cinema para o suplemento GPS, da revista Sábado. Escreveu e realizou Vícios Para Uma Família Feliz, curta-metragem finalizada em Fevereiro de 2016 e que esteve em Competição Oficial no Festival Internacional de Cine de Huesca, no Festival dos Caminhos do Cinema Português e no Festival Internacional de Martil (Marrocos), onde recebeu uma menção especial para o trabalho de Helena Canhoto, a protagonista. Co-adaptou – em conjunto com David Machado, o autor do romance – o Índice Médio da Felicidade, projecto realizado por Joaquim Leitão. É co-criador e argumentista, em conjunto com João Tordo e Hugo Gonçalves, de País Irmão e Até que a Vida nos Separe, séries exibidas pela RTP1. Mais recentemente, escreveu os argumentos dos filmes Parque Mayer, de António-Pedro Vasconcelos (2018) e Nunca Nada Aconteceu, de Gonçalo Galvão Teles (2022). A sua primeira longa-metragem, Revolta, que realizou e para a qual escreveu o argumento, estreou nos cinemas em 2022.






