Em meados do séc. XVIII, o Marquês de Pombal proibiu a entrada de novos escravos em Portugal continental e decretou também, entre outras coisas, que os filhos das escravas que nascessem a partir dali seriam pessoas livres. Foi o princípio do fim da escravização de pessoas trazidas à força do continente africano para a Europa. Mas, entre meados do séc. XV e finais do XVIII, cerca de um milhão de pessoas foram trazidas para o nosso território para serem escravizadas. Todos estamos cientes desta sombria página da História de Portugal, mas o historiador Arlindo Manuel Caldeira traz-nos novidades. As exaustivas investigações de Arlindo Manuel Caldeira para identificar pessoas concretas em situação de escravidão, durante esses 350 anos, permitem-lhe desmontar uma série de lugares comuns sobre a escravatura africana em Portugal e oferece-nos uma aproximação sem precedentes ao que foi essa prática. Do Campo das Cebolas e Rossio, em Lisboa, ao Barreiro.
Argumento: Rodrigo Areias, Eduardo Brito (inspirado pelas obras "Os Pescadores" e "As Ilhas Desconhecidas", de Raul Brandão)
Direcção Fotografia: Jorge Quintela
Banda Sonora: Hifiklub (França) + The Legendary Tigerman
Produção: Bando à Parte
Elenco: Tânia Dinis, José Medeiros
Sinopse: A pesca em Ribeira Quente, na ilha de São Miguel, Açores.
"Hálito Azul" é um filme documentário impregnado de ficção. Parte da adaptação de um livro documental sobre a vida dos pescadores portugueses percorrendo toda a costa de Norte a Sul, encontrando paralelismos entre a actualidade e a vida descrita por Raul Brandão há cerca de 100 anos. A intenção é trazer a vida real e personagens reais para o filme, partindo da estrutura do livro e tentando ficcionar partes do livro que encontrem paralelismo com a vida real dos nossos personagens de hoje. Será um filme em duas camadas, a primeira a da vida e histórias dos pescadores de hoje, vistas à luz de uma outra, as histórias descritas em "Os Pescadores", que serão interpretadas pelos nossos personagens reais de acordo com as suas vivências e histórias pessoais. Desta forma, pretende-se salientar a não evolução na vida desta tão importante comunidade portuguesa face a toda a evolução no que os rodeia. Este pretende ser um filme poético que reflicta as belíssimas palavras de Raul Brandão em imagens e sons. Mas acima de tudo um filme sobre pessoas.
Raul Brandão nasceu na Foz do Douro, Porto, a 12 de Março de 1867, e morreu em Lisboa, a 5 de Dezembro de 1930. Militar de 1888 a 1911, quando se reformou do posto de capitão foi ao jornalismo e à literatura que dedicou a sua vida, escrevendo livros, como "Húmus", a sua obra-prima, ou peças de teatro como "O Gebo e a Sombra", que impressionaram várias gerações até aos nossos dias. Sem nunca ter escrito poesia, a sua escrita é predominantemente poética e a condição humana é o tema profundo da sua obra: simbolista-decadentista no início, com "História de um Palhaço", impressionista no final, quando escreve "Os Pescadores" e "As Ilhas Desconhecidas", considerado «um dos melhores livros de viagens de todos os tempos na literatura portuguesa». As suas "Memórias", que agora se apresentam reunidas num único volume, são uma das grandes referências nacionais neste género literário.
É uma das mais destacadas historiadoras de África em Portugal. Há 50 anos que se dedica ao estudo da História de África e foi pioneira na introdução desta área de estudos no Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O livro "Mulheres Africanas em Portugal: O Discurso das Imagens (séculos XV - XXI)" é o mote para a conversa "Mar de Letras" desta semana com Isabel Castro Henriques.