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alma-lusa

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27
Set12

ISTO É PORTUGAL! - Chá Gorreana

 

 

Origem: Maia - Ribeira Grande (São Miguel - Açores)

 

É em São Miguel que se fincam as raízes da mais antiga fábrica de chás da Europa, um negócio que brotou de uma semente vinda do Brasil e foi beber à sabedoria tradicional chinesa.

 

A produção de laranja de São Miguel, em declínio nos finais do século XIX, foi chão que deu folhas ao chá dos Açores. Para estancar a crise produtiva, a semente da oriental camellia sinensis, entretanto já em voga do outro lado do Atlântico, foi literalmente trazida na bagagem de Jacinto Leite, um micaelense retornado da Corte portuguesa no Brasil. E logo depois «regada» pelo incentivo dado pela Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense que, em 1878, mandou vir de Macau dois técnicos chineses, mestres na arte de plantar o chá. Estava assim preparado o terreno onde, cinco anos mais tarde, Ermelinda Gago da Câmara colheu o primeiro quilo de chá seco da mais antiga fábrica de chá da Europa. Em 1926, coube a Jaime Hintze, casado com a neta da fundadora, investir 500 mil escudos na construção da pequena central hidroeléctrica - ainda em funcionamento - que fez a Gorreana superar a carência energética causada pelo fim da máquina a vapor. Já nas mãos de Hermano Mota, actual proprietário, marido da neta de Jaime Hintze, a Gorreana teve igualmente de enfrentar a concorrência do chá de Moçambique, protegido pelo Estado Novo, a partir da década de cinquenta. Hoje, na véspera de completar 130 anos, aquele que chegou a ser o único local na Europa onde se produzia chá à escala industrial - até ao ressurgimento da vizinha Fábrica de Chá de Porto Formoso, em 1998 - ainda vai beber lições à história que escorre pelas instalações. Como as das resistências das máquinas - exemplo disso são o motor eléctrico, de 1926, e o peneiro de vento, de 1930 - e da «teimosia» dos antepassados, apostados em colocar o chá dos Açores nas bocas do mundo.

 

Num mar de folhas que ondulam pela encosta, só o azul do Atlântico ao longe e o vermelho do nome da fábrica, derramado sobre a fachada branca do edifício principal, destoam do manto verde que cobre a ilha de São Miguel. Nos 32 hectares da plantação da Gorreana, estendidos sobre a pequena aldeia da Maia, no concelho da Ribeira Grande, verde e preto são ainda as qualidades de chá extraídas da camellia sinensis, a planta de origem chinesa de onde nasce o «verdadeiro» chá. Mas em matéria de infusões, quem reina é o chá preto, separado nas variedades Orange Pekoe, Pekoe e Broken Leaf, enquanto o chá verde se divide entre o corrente e o enrolado. Embora com menor procura, à prova ficam também os chás semifermentados Oolong, Poochong e Soochong.

 

A produção segue o método tradicional ou não fosse este um chá ortodoxo. No que toca ao chá preto, após as colheita, as folhas são enroladas, oxidadas, secas e depois separadas por tamanhos e pesos. Num rebento, só as três primeiras folhas são aproveitadas: a primeira corresponde ao Orange Pekoe, mais leve e aromático; a segunda torna o Pekoe mais forte e retira-lhe paladar; já o uso da terceira folha é uma «invenção europeia», de onde emerge o Broken Leaf, o mais leve e menos apaladado de todos os chás, feito a partir das folhas mais velhas e rijas, que não enrolam, mas partem.

 

Uma vez na fábrica, o chá preto demora uma hora a enrolar e mais 12 até que as folhas estejam secas. Seguem-se seis a sete meses de espera para que o aroma e o paladar se apurem: só então fica pronto a ir para o mercado.

 

Hysson é como se apelida o processo de produção do chá verde. Neste caso, recorre-se ao vapor de água que aquece as folhas, protegendo-as da oxidação. As folhas têm, ainda, de ser trabalhadas rapidamente: enquanto o chá verde corrente passa cinco minutos no enrolador, o enrolado ali fica cerca de um quarto de hora. A demora tem, porém, um preço: esta variedade é menos rica em antioxidantes.

 

Num processo produtivo que foi evoluindo ao sabor dos anos, as máquinas só dão lugar às mãos quando as sete operárias escolhem o chá a dedo, retirando pequenos resíduos que se intrometem por entre as folhas. Com uma capacidade de produção que ronda as 40 toneladas por ano, as colheitas costumam prolongar-se de Março a Setembro e a mesma planta é colhida de 12 em 12 dias. No entanto, para a Gorreana, Inverno não é sinónimo de hibernação: é nesses meses que os 22 trabalhadores afectos à plantação controlam as ervas daninhas, podam as plantas e fazem a manutenção dos campos.

 

Uma chávena do chá mais antigo da Europa serve-se (quase) só em português: as folhas utilizadas são exclusivamente de produção própria e os adubos, sacos, embalagens e caixas de cartão vêm todos do continente. Importadas, só as máquinas de apanhar chá, que chegam do Japão.

 

Três toneladas de chá partem todos os anos da costa Norte da ilha de São Miguel, contornando os circuitos habituais de exportação. Procurando dar resposta às pequenas encomendas individuais que chegam diariamente por telefone, carta, email, a expedição é feita por via postal, semana a semana. O volume de pedidos é de tal ordem, adianta o responsável pela companhia, que as tardes de quarta-feira na estação de Correios da freguesia da Maia são mesmo «dedicadas à Gorreana».

 

Se, antigamente, o pico de vendas aquecia os meses mais frios, actualmente o Chá Gorreana é saboreado ao longo de todo o ano, muito por culpa das rotas turísticas que passaram a cruzar os Açores. Com uma fábrica que não deixa de ser também um museu, o corrupio é constante: em 2011, a média foi mesmo de 300 visitantes por dia. À venda em casas especializadas em chá por todo o País, a chancela açoriana vai passar a invadir também as prateleiras de duas cadeias de hipermercados. Para as alcançar, a Gorreana investiu mais de 250 mil euros em duas máquinas que produzem duas saquetas de chá por segundo, com vista a atingir a meta das 400 caixas de chá a distribuir mensalmente no continente.

 

(retirado do artigo "Portugal faz bem - Ilha dos sabores" publicado na edição nº 1021 da revista VISÃO)

 

 

 

 
 
 
 
27
Set12

ANO DE PORTUGAL NO BRASIL: Festival de Cinema do Rio de Janeiro 2012 (27 Setembro a 11 Outubro)

 

 

Nesta edição de 2012, o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro associa-se ao Ano de Portugal no Brasil destacando o cinema português com exibição de 24 filmes e homenageando os realizadores Manoel de Oliveira e João Pedro Rodrigues.

 

O Festival do Rio 2012 selecciona 24 filmes portugueses que apresenta na mostra Imagens de Portugal, na qual Manoel de Oliveira é revisitado através de 7 marcos da sua carreira de 81 anos de produção cinematográfica, como a sua primeira obra, Douro, Faina Fluvial, de 1931.

 

João Pedro Rodrigues terá 8 filmes em exibição e será um dos realizadores distinguidos neste importante Festival internacional, a par de Manoel de Oliveira, John Carpenter e Alberto Cavalcanti. O último filme de João Pedro Rodrigues, A última vez que vi Macau, foi premiado em Locarno, apresentado no Rio de Janeiro e exibido numa sessão especial em Cannes, tendo sido considerado a grande revelação do cinema português dos últimos anos.

 

João Botelho com Filme do Desassossego, Teresa Villaverde com Cisne, João Canijo com Fantasia Lusitana, integram a longa mostra Imagens de Portugal que inicia com Tabu, de Miguel Gomes, filme estreado e premiado em Berlinale e já vendido para mais de 40 países, revelando um percurso internacional notável à semelhança da sua longa-metragem anterior, Aquele Querido Mês de Agosto.

 

Imagens de Portugal

 

Homenagem a Manoel de Oliveira - "Aniki-Bobó", "Pão", "O Pintor e a Cidade", "A Caça", "Famalicão", "Douro, Faina Fluvial"

 

Retrospectiva de João Pedro Rodrigues - "Odete", "Morrer como um homem", "O Fantasma", "Alvorada Vermelha", "China, China", "Parabéns!", "Manhã de Santo António", "A última vez que vi Macau"

 

Tributo Curtas-Metragens de Vila do Conde - "Obrigação", de João Canijo; "A Rua da Estrada", de Graça Castanheira; "Cinzas, Ensaio sobre o Fogo", de Pedro Flores; "Um Rio chamado Ave", de Luís Alves de Matos; "O Milagre de Santo António", de Sergei Loznitza; "Terra dos meus sonhos", de Yann Gonzalez; "O Canto do Rocha", de Helvécio Martins Jr.; "Reconversão", de Thom Andersen

 

Outros Filmes - "Florbela", de Vicente Alves do Ó; "Cisne", de Teresa Villaverde; "Tabu", de Miguel Gomes; "A República de Mininus", de Flora Gomes; "Filme do Desassossego", de João Botelho; "Fantasia Lusitana", de João Canijo; "A Virgem Margarida", de Licínio de Azevedo (Moçambique); "A Moral Conjugal", de Artur Serra Araújo; "Belarmino", de Fernando Lopes

 

http://2012.festivaldorio.com.br/

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26
Set12

TV: Chibanga (RTP1 - 22h45)

Chibanga

 

Documentário centrado na figura de Ricardo Chibanga, o primeiro africano matador de touros em toda a História que, há quatro décadas, foi um mito para a sua geração. Triunfou nas praças portuguesas, espanholas e mexicanas, entre outras, pela sua destreza, elegância e ousadia. Originário de Moçambique, Chibanga cresceu no mesmo bairro dos arredores de Lourenço Marques (Maputo) que os futebolistas Hilário e Eusébio, com os quais jogou durante a infância com uma bola de trapos. A sua improvável ascensão a matador, ocorrida a milhares de quilómetros de casa, resultou de uma atitude de garande dedicação, persistência e, ao mesmo tempo, sacrifício.

 

Com recurso a imagens de arquivo e depoimentos (incluindo as memórias do próprio), revivem-se os momentos de glória de um toureiro que foi apreciado por Picasso e Salvador Dalí. Chibanga, que é hoje proprietário de uma arena desmontável, com a qual deambula para organizar touradas durante a época tauromáquica, habita na Golegã, onde parte do documentário foi gravada.

25
Set12

ISTO É PORTUGAL! - AJP Motos

 

Origem: Pias (Lousada)

 

A chegada das motos AJP ao mercado responde a uma pergunta simples: de que serve ter uma moto superpotente se não se consegue obter dela o seu rendimento total? É nesse campeonato que joga António Pinto, o «senhor Pinto» para todos os que trabalham com ele na fábrica em Lousada.

 

António Pinto meteu-se nisto há 28 anos, quando estava à frente de uma oficina de reparações que se especializou na afinação de motos. Em bom português, o senhor Pinto «quitava motas» e foi assim que descobriu um segmento de mercado por explorar: o dos amantes de umas voltinhas que não têm intenções de entrar no campeonato nacional de enduro.

 

Foi a pensar nestes utilizadores que António Pinto imaginou a moto AJP, que o AICEP Capital Global escolheu apoiar em 2008. A AJP monta motos com as suas designações e os seus requisitos comprando os componentes no mercado internacional, num processo muito semelhante ao que fazem outros fabricantes. O motor é Honda, a suspensão Sachs, por exemplo.

 

As AJP já conseguiram furar o mercado e chegar ao estrangeiro. No dia desta reportagem, montavam-se exemplares destinados a Madagáscar e que, por atraso na chegada de peças, estavam por concluir. Também enviam exemplares para países árabes e, neste mesmo dia, estava presente o representante no Brasil e dois potenciais interessados de Israel. E, para cada mercado, as respectivas motos, com as respectivas homologações. Do outro lado do Atlântico, por exemplo, usa-se mais trinta por cento de álcool do que no nosso país. É uma das mais importantes apostas da AJP. E, se tudo correr bem, ponderam mesmo montar uma linha de produção só para este país. No cartão-de-visita da AJP também constam vendas para o Japão, terra natal de algumas das mais conhecidas marcas de motos de enduro, e França. Dos EUA também têm chegado solicitações.

 

Em Portugal, duas ideias deram projecção à moto. Primeiro, a parceria com os Xutos e Pontapés. O outro acontecimento foi a viagem de Osvaldo Garcia, ao volante precisamente de uma AJP/Xutos e Pontapés, até à África do Sul, onde chegou no dia 10 de Junho de 2010, a tempo da estreia da selecção das Quinas no Mundial de Futebol. «Só substituí a correia em Moçambique e foi porque a tinha e, assim, ia menos carregado», resume.

 

A moto concebida por António Pinto trazia inovações em relação às concorrentes. Uma delas foi ter o depósito de combustível atrás, ideia apresentada pela AJP no Salão de Paris, em 2001, e hoje amplamente difundida neste sector. Outra ideia: «O braço de suspensão é inteiro, sem soldadura», nota Nuno Almeida, representante do AICEP. «É a primeira moto do mundo a fazer uma peça única.»

 

(retirado do artigo "1000 Motivos do nosso Orgulho" publicado na 1000ª edição da revista Notícias Magazine)

 

http://www.ajpmotos.pt/

 

 

AJP Xutos e Pontapés

 

 
 
 
 

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